Reportagem de Capa – Edição 82 de Novembro/Dezembro de 2003
Sensação do mercado
Tecnologia exclusiva de desidratação de álcool por Mono Etileno Glicol ganha novas usinas adeptas e se transforma em tendência mundial

Cerca de 2,5 bilhões de litros de álcool anidro serão produzidos a partir do processo BSM durante a safra 2004/05 do Centro-Sul

Quando a safra 2004/05 do Centro-Sul terminar, cerca de 2,5 bilhões de litros de álcool anidro terão sido produzidos a partir de uma tecnologia de destilação extrativa disponível no mercado há apenas quatro anos. O volume, que significará 33% da produção nacional, representa a fabricação realizada por 30 usinas brasileiras, índice que segue uma tendência de crescimento de utilização do Processo BSM no país – apenas neste ano, sete novas unidades passam a ser equipadas com estas plantas.

Desenvolvida pelas empresas BS Engenharia e JW Indústria e Comércio de Equipamentos em Aço Inoxidável de Sertãozinho/SP, a tecnologia também é comercializada através de equipamentos fabricados pela NG Metalúrgica, de Piracicaba/SP. Utilizando uma substância pouco tóxica como desidratante, o Mono Etileno Glicol (MEG), o BSM realiza as suas atividades na aplicação da destilação extrativa para a desidratação de substâncias que formam azeótropos com a água. A adição de glicóis influencia o equilíbrio da mistura etanol/água, possibilitando a obtenção de álcool anidro por destilação simples.

Este projeto foi desenvolvido após a realização de uma parceria com o professor Dr. Antônio José Meirelles, da Universidade de Campinas, que produziu um trabalho científico sobre o tema. Meirelles possui ampla experiência no assunto e fez doutorado na Alemanha, onde produziu sua tese sobre o tema, além de ter sido condecorado em 1989 com o Prêmio Jovem Cientista da Fundação Roberto Marinho, Cnpq e grupo Gerdau.

Procurando desenvolver um sistema capaz de destilar o álcool anidro com um produto não volátil, não inflamável e pouco tóxico, a BS encontrou a solução na tese de Meirelles. “Esta é uma iniciativa vencedora. Não há qualquer equipamento concorrente que possa ter melhor relação custo/benefício do que a tecnologia BSM. Antigamente, existia um processo que utilizava o mesmo princípio do BSM, só que o desidratante era a glicerina anidra. Assim, foi abandonado pois era ineficiente e baseado em uma tecnologia já obsoleta nos dias atuais. Chamava-se Mariller. O BSM é substancialmente diferente do processo de Mariller e a adaptação deste para o uso do MEG, normalmente conduz a erros grosseiros de projeto”, defende o engenheiro Paulo Sérgio Barci, diretor da BS Engenharia.

Antes de se transformar na maior vedete do mercado de destilação de álcool dos últimos anos, o Processo foi testado na Usina Santa Elisa, de Sertãozinho/SP, em um equipamento adaptado, funcionando durante duas safras para levantamento de dados. Os primeiros resultados se mostraram surpreendentes.

As principais características observadas foram o consumo de energia igual ou melhor em comparação às outras tecnologias que realizam o mesmo trabalho, com capacidade para dobrar a produção de álcool anidro em plantas existentes com custos mais baixos. Verificou-se também que o BSM apresenta, em projetos novos, um custo de implantação de 50% a 100% menor do que uma peneira molecular de mesma capacidade.

Uma das primeiras usinas a adotarem a tecnologia foi a Vale do Rosário, de Orlândia/SP, que optou pelo sistema para substituir um processo antigo de desidratação realizada a partir de Ciclo-Hexano. “Instalamos a planta BSM logo no primeiro ano do processo, em 2000, porque tínhamos dificuldade para exportar o álcool desidratado por um produto tóxico a outros países”, revela Nilton Cervelle, chefe de destilaria da unidade.

Com o novo sistema, a Usina Vale do Rosário praticamente dobrou a produção com a mesma coluna (adaptada para Mono Etileno Glicol ) e que antes trabalhava com o Ciclo- Hexano, conquistando benefícios diretos como economia de vapor, energia elétrica, água nos condensadores e menor consumo de desidratante. “Estamos contentes com o BSM, que é bastante estável em nível de produção e o álcool e de ótima qualidade aceitável em todos os países”, admite Cervelle.
Usinas que utilizam o processo BSM
Usinas
Capacidade m3/dia
Ano
Alto Alegre
2 x 300
2001
Alta Magiana
400
2001
Batatais
400
2001
Buriti
400
2001
Colorado
2 x 300
2001
Goaisa
400
2001
S. José da Estiva
400
2001
Uniálcool
350
2001
Catanduva
300
2001
V. O.
400
2001
Alta Floresta
300
2002
M. B.
300
2002
Melhoramentos
450
2002
Nova América
600
2002
Vale do Rosário
2 x 300
2002
Zanin
600
2002
Moema
500
2003
Cevasa
400
2003
Luciania
400
2003
Nardini
600
2003
Santa Isabel
350
2004
Viralcool
600
2004
Vertente
300
2004
Santa Cândida
600
2004
São Domingos
500
2004
Santa Cruz
600
2004
Santa Adélia
300
2004
Santo Antonio
600
2004

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